APRENDER TRANSFORMA O CÉREBRO

Doenças degenerativas do cérebro como Alzheimer, transtornos como hiperactividade e dislexia, distúrbios emocionais como depressão ou simples angústias do quotidiano têm algo em comum.

Ganharam novos olhares e perspectivas de tratamento a partir da neuropsicologia — estudo científico da relação entre a função cerebral e o comportamento —, que propõe uma abordagem inovadora para problemas do quotidiano ao integrar diferentes áreas de conhecimento.

Com o estudo conjunto de médicos, fonoaudiólogos, neurologistas, pedagogos, psicólogos e outros cientistas, a neuropsicologia reúne tudo o que pode contribuir para um melhor desempenho das pessoas. Tem sido um desafio para a comunidade científica, mas a cooperação e a troca de conhecimentos têm trazido à luz novas descobertas.

Pessoas que sofreram lesões em partes de seu cérebro, como o caso do músico brasileiro Herbert Viana, por exemplo, podem recuperar parcialmente as funções perdidas submetendo-se a estimulação mental intensa e diversificada. Em outros casos, alimentos ou drogas artificiais que aumentem a ramificação dos dendritos, o crescimento dos neurónios e seu aumento de volume podem ajudar na melhora do desempenho mental e memória nas pessoas normais ou em pacientes com doenças degenerativas do cérebro. Também é possível levar a criança ao mundo da leitura e escrita de forma agradável e produtiva, integrando-a mais no mundo que a cerca e no entendimento de si mesma nesse espaço.

"Já se sabe que a aprendizagem pode levar a alterações estruturais no cérebro, porque a cada nova experiência do indivíduo, redes de neurónios são reorganizadas em resposta à experiência e como adaptação a estímulos repetidos", destaca a psicóloga e psicopedagoga Luiza Elena Ribeiro do Valle, organizadora do livro Neuropsicologia & aprendizagem: para viver melhor, lançado na XII Bienal Internacional do Livro pela Tecmedd Editora em parceria com a Sociedade Brasileira de Neuropsicologia.

Um dos destaques do livro é a colaboração do autor, psiquiatra, cientista e fundador da Academia de Inteligência, Augusto Cury, que fala sobre a teoria da inteligência multifocal aplicada no processo de reconstrução da educação, em que enfatiza a expansão das funções da inteligência e visa a qualidade de vida.