GORDURA AFECTA DESTREZA MENTAL


A obesidade não afecta apenas a saúde fazendo-nos correr riscos perfeitamente evitáveis com uma alimentação equilibrada. A obesidade também prejudica o funcionamento do cérebro, podendo reduzir a sua eficiência. Mais: mesmo as pessoas magras podem sofrer de dificuldades diversas no funcionamento cerebral se a sua alimentação for rica em gorduras saturadas.

De facto, o excesso de ingestão de gorduras compromete as funções cognitivas devido a duas razões: dificulta a irrigação sanguínea no cérebro e produz quantidades perigosas de radicais livres.

Em linguagem simplificada podemos dizer que o consumo excessivo de gorduras dificulta a circulação sanguínea de onde os neurónios retiram o seu alimento, diminuindo a elasticidade dos vasos sanguíneos que os envolvem.

A gordura, que se apresenta carregada de moléculas gordurosas de consistência pastosa, oxida rapidamente e injecta radicais livres nas células nervosas. Ora bem, gordura é coisa que não falta no cérebro. Os neurónios já são naturalmente compostos de gordura (em cerca de 60% da sua matéria). Acrescentar mais gordura é perigoso pois a oxidação conduz à morte de muitas células.

Além da gordura excessiva poder provocar danos muito graves (por exemplo, hemorragias cerebrais que podem causar a morte) contribui, no mínimo, para a disfunção cognitiva. Ou seja, ela pode tornar-nos mais lentos a pensar, sentirmos dificuldade em concentrar-nos e em memorizarmos, etc.

São três os tipos de gordura que usamos habitualmente na nossa alimentação: a saturada (a mais prejudicial), a polinsaturada (menos grave) e a monoinsaturada (benéfica). Esta última ajuda o "mau" colesterol-LDL a combater a oxidação e favorece a eliminação de radicais livres através da vitamina E. Esta gordura encontra-se no azeite de oliveira, de linhaça, de peixe e de nozes-da-Austrália.

Eis a lista de gorduras por ordem crescente de perigosidade para o cérebro:

1. Óleo de noz-da-Austrália (3% de gordura polinsaturada);
2. Azeite de oliveira (8%);
3. Óleo de linhaça (16%);
4. Óleo de canola (22%);
5. Óleo de amendoim (33%);
6. Óleo de semente de germelim (41%);
7. Óleo de noz (51%);
8. Óleo de soja (54%);
9. Óleo de milho (61%);
10. Óleo de girassol (69%).

Segundo o Dr.Dharma Khalsa, da Academia Americana de Medicina Anti-envelhecimento, não devemos ingerir mais do que 50 a 60 gramas de gordura por dia (algo como 15 a 20% da totalidade de alimentos que comemos diariamente).

Reduzir a ingestão de gordura permitirá ganharmos mais eficácia nas funções cerebrais, em especial nas que assuguram o trabalho mental. Por outro lado, esta redução calórica, associada a uma dieta equilibrada, poderá ampliar a longevidade do cérebro e do organismo em geral.