MAPAS MENTAIS
UMA FERRAMENTA DA MEMÓRIA

Mapas mentais são ferramentas, entre outras coisas, de pensamento, de organização, de visualização, de integração de conhecimentos. Assim como uma ferramenta comum expande sua força física e em geral sua capacidade de realizar consertos e produzir objectos, também os mapas mentais expandem a sua inteligência nesses aspectos. Este artigo mostra algumas das possibilidades que tornam isso concreto e real.

Há várias definições e visões da inteligência; o conceito que usamos aqui é que inteligência é a capacidade de definir objectivos e estratégias para sua consecução (ou similarmente, como definiu Stephen Pinker, autor de Como a Mente Funciona, "a inteligência consiste em especificar um objetivo, avaliar a situação atual para saber como ela difere do objetivo e por em prática uma série de operações para reduzir a diferença").

Distinguimos aqui a inteligência do tempo de resposta da inteligência: muitas pessoas, mesmo que não se acreditem muito inteligentes, se dedicarem 20 anos para uma mesma busca, podem realizar muitas coisas e até eventualmente revolucionar a física, como Einstein. Uma coisa é a inteligência, outra é a produtividade da inteligência. Consideramos que aumentar a produtividade de uma inteligência também é expandi-la.

A relação abaixo não esgota as possibilidades de expansão de inteligência: são as que nós e outros já identificamos – até agora. Mapas mentais são relativamente novos e certamente há várias descobertas relacionadas a eles por serem feitas.

Estruturação adequada
Estrutura é algo onipresente no nosso mundo. Uma empresa tem uma estrutura hierárquica de departamentos, divisões, secções e outras repartições. O ensino é estruturado em cursos, estes em disciplinas, estas em tópicos. Um livro é estruturado em partes, capítulos, secções, parágrafos, períodos, frases. Um site tem secções e páginas. Uma casa tem fundação, divisões e tecto. Esta matéria tem secções.


Estruturar um conjunto de conhecimentos ou o que vai contê-los é um problema muito comum: um texto deve ser estruturado; um site deve ser estruturado em secções e páginas, cada uma com seu conteúdo; um jornal deve ser estruturado em cadernos e secções; uma apresentação também tem sua estrutura, e até a fala fica melhor quando bem estruturada.

Por exigências sintáticas, um texto contém muitos símbolos não essenciais para aplicarmos o conhecimento que eles representam, como preposições, artigos e conjunções, além de conteúdo não exatamente relevante, como divagações do redator e repetições reforçadoras.

Num mapa mental bem elaborado, os símbolos são reduzidos ao mínimo necessário para representar as idéias relevantes para alguma compreensão ou ação, conforme o caso.Neste aspecto, mapas mentais fazem mais: com a prática de sua elaboração, você exercita e assim expande sua capacidade de perceber o que é essencial e representá-lo sinteticamente, o que o torna também mais objectivo e produtivo.

Visão mais ampla e completa
Muitas vezes, principalmente para temas novos para nós, lemos ou vemos algo e não conseguimos manter esse algo estável em nossa mente; simplesmente esquecemos. Por exemplo, se você lê um artigo de 6 páginas, ao chegar na sexta pode ser que não se lembre de várias coisas que leu nas primeiras. Como num texto há dependências entre os assuntos, e o que é necessário saber para compreender a página 6 está na 1 e na 2, nossa compreensão e aprendizagem ficam então prejudicados. O mesmo pode ocorrer se você está lendo um texto mais longo na tela do computador.


Um mapa mental permite colocar todas as informações relevantes de um assunto no mesmo campo visual. Assim, quando você muda o foco, o que é feito rapidamente, as informações anteriores ainda estão “quentes” na sua mente, facilitando a compreensão. Mesmo quando o mapa mental não contém todos os detalhes, e como às vezes precisamos só de uma pista para lembrar um todo (assim como letras de música), os tópicos funcionam com “link” para trazer o que você leu ou sabe e que não estava conseguindo activar.

Memorização
Uma das formas de lembrarmos das coisas é através de uma “pista’, como no caso já citado de lembrar de letras de músicas: se conseguirmos lembrar de um trecho ou do início da música, conseguimos lembrar de toda ela, ou pelo menos de tudo que sabemos dela. Por vezes ficamos bloqueados por não ter uma pista sequer para o que queremos lembrar.

Com um mapa mental, todas as pistas importantes para um tema estão ali, na nossa frente, reativando nossos conhecimentos a um simples olhar. Além disso, a estrutura do mapa mental, aqueles tópicos mais próximos da raiz, nos fornece “caminhos” para navegarmos perceptivamente: você lembrar primeiro do tema, o título, depois lembra um ramo e assim vai até chegar no que quer.

Mapas mentais também facilitam nossa memorização quando possuem imagens, que reforçam o conteúdo textual dos tópicos. Também podem ser usadas técnicas de memorização combinadas com mapas mentais, como foi feito no curso Power Memory.

Aplicação de conhecimentos
Você já tentou aplicar algo que leu num livro e teve dificuldades? Por exemplo, as informações relevantes para se fazer uma análise sintática estão espalhadas por uns 10 capítulos do livro. O que fazer primeiro? E depois? Usando mapas mentais associados a roteiros estruturados passo-a-passo, todos os conhecimentos necessários para um determinado passo ficam registrados abaixo dele, como detalhamentos do passo geral. Assim você não precisa ficar toda hora buscando no livro o que precisa.


Integração de conhecimentos
Uma das formas de aprender é encaixar novos conhecimentos nos já existentes. Mapas mentais apoiam a integração de conhecimentos formando estruturas mentais que podem receber novas informações e conhecimentos. Também lhe mostram o que você não sabe: um tópico no mapa mental para o qual você não consegue fornecer nenhum detalhamento é uma evidência de que ali há algo que você não sabe.

Mapas mentais também podem ser usados para reorganizar conhecimentos existentes. Se você tem vários fragmentos desconectados sobre um tema, pode usar um mapa mental para organizá-los, estabelecendo suas relações e permitindo uma compreensão mais profunda.

Capacidade de lidar com conhecimentos e informações
De certa forma este item decorre de alguns dos anteriores, mas há motivos para falarmos dele como uma forma adicional de expansão de inteligência. O facto de você ter uma ferramenta para estruturar grande quantidade de conhecimentos lhe proporciona um efeito extra: você vai ter muito mais disposição para encarar tarefas que requerem isso. Você não vai temer, por exemplo, enfrentar a redação de um livro a partir de 100 fontes, porque sabe que vai dar conta usando mapas mentais.


O resultado é que sua motivação, se for esse o caso, não vai mais depender do senso de capacidade que você acha que tem, isso simplesmente não é necessário. Sua decisão será baseada em coisas do tipo: “Dá tempo?” e “Eu quero?” ou “Eu preciso?”, e não em “Sou capaz?”. Seja um livro de 1.000 ou um site com 1.000 páginas ou ainda um planeamento com 1.000 actividades, nada disso lhe incomoda, porque sabe que o mais importante não é o tamanho da tarefa e sim você estar estruturado para cuidar dela.

Fonte: Virgilio Vasconcelos Vilela (Brasil)