UMA SAÚDE … INTELIGENTE!

Sucedem-se os estudos que revelam a íntima relação entre a inteligência, a saúde e longevidade. De facto, confirma-se que quanto mais inteligente for a pessoa menos sujeita está a problemas de saúde e mais probabilidades tem de gozar uma longa vida. Ou seja, as pesquisas têm revelado que as pessoas muito inteligentes - pelo menos, em grande percentagem - sabem adequar os seus comportamentos (hábitos alimentares , estilo de vida, higiene activa, cuidados preventivos, etc) às exigências de uma vida saudável.

Perguntar-se-á: mas então um indivíduo muito inteligente mas que seja um fumador compulsivo está menos sujeito aos efeitos nocivos do tabaco? Bem, neste caso, se for um grande fumador e insistir no seu vício não está a ser muito inteligente pois sabe que corre grandes riscos.

Convém esclarecer que o conceito de inteligência é muito mais do que aquilo que o Quociente de Inteligência expressa! A inteligência deve ser avaliada através dos comportamentos…inteligentes. São estes (os comportamentos) e não os valores do QI que atestam a nossa inteligência.

O conhecido investigador e professor de psicologia Robert Sternberg afirma que uma coisa é a inteligência que se mede nos testes (inteligência teórica) e outra a que usamos na vida quotidiana (inteligência prática). A primeira pode ser boa para resolver problemas intelectuais, mas é a segunda que se repercute nos nossos comportamentos. É esta inteligência de que falamos quando nos referimos à saúde.

O problema mente-corpo é uma das mais excitantes áreas da neuropsicologia, em parte, porque é negligenciada há bastante tempo e, em parte, porque o incremento da sofisticação nas pesquisas, na metodologia e nas técnicas, tornou possível examinar as finas relações entre eles.

Actualmente, existem provas de que aquilo que pensamos influencia o nosso bem-estar. Também a nossa mente pode fazer-nos acreditar que estamos doentes, se estamos ou não doentes em sentido objectivo, ou seja, clínico. O nosso estado psicológico e emocional afecta a nossa percepção dos sintomas físicos e a nossa reacção a esses sintomas.

Por exemplo, uma personalidade insegura, reactiva aos acontecimentos de vida, tende a desenvolver problemas de saúde com mais ou menos gravidade, que podem ir desde o aumento da frequência de reacções alérgicas até ao despoletar de problemas cardiovasculares.

A saúde e a doença são resultantes de múltiplas linhas de força, biológicas, psicológicas e sociais. Mesmo as doenças infecciosas não são redutíveis a uma acção unilateral de microrganismos, mas a uma luta dialéctica entre os microrganismos e o macrorganismo, o que vai decidir o aparecimento da doença e o seu curso. As forças do organismo, as suas capacidades de defesa, vão desempenhar um importante papel nesta confrontação, na qual certos factores psíquicos modulam as suas potencialidades de resposta.

Apesar das dificuldades para se descobrir a precisa associação entre factores psicológicos, comportamentais e médicos, uma quantidade razoável de evidências empíricas afirma que os factores psicológicos afectam a saúde física e o início e o fim de, pelo menos, algumas doenças.

Uma nova ciência - a psiconeuroimunologia - dedica-se ao estudo das relações entre os processos comportamentais, neuronais, endócrinos e imunológicos.

As mudanças no sistema imunológico constituem um importante mecanismo, no qual os factores psicológicos podem influenciar a saúde e a doença.

Experiências científicas revelam também que a capacidade de acreditar na força que há em nós próprios, ou em algo que nos é exterior, contribui para proteger o estado de saúde e melhorar a recuperação da doença. E, assim, a religião constitui, para muita gente, uma grande fonte de confrontação (coping) com os diversos problemas da vida e de adaptação. Quando não é possível mudar a situação, a fé ajuda a mudar as atitudes da pessoa frente às dificuldades, talvez porque dá sentido mesmo ao sofrimento e à própria morte.