AUDIÇÃO, MEMÓRIA E ENVELHECIMENTO

Frequentemente, associamos as dificuldades de audição ao en-velhecimento. Mas, para a investigadora e fonoaudióloga brasileira Katia Miriam de Melo Silveira “na maior parte dos casos, as pessoas apresentam mais problemas de memória do que deficiências auditivas”. E acrescenta: “É natural que, com a idade, haja perda de audição”, diz a pesquisadora, mas nem sempre os mais jovens apresentam melhor audição que os mais velhos. “Em algumas ocasiões, pacientes idosos têm desempenho melhor que outros mais jovens.”
A partir desse facto, ela se interessou em verificar a ocupação dos pacientes que reclamavam do problema. Após três anos e meio avaliando 226 pessoas com profissões diversas – professores, pesquisadores, bancários, porteiros e faxineiros –, foi comprovado que actividades no emprego são responsáveis pela melhor ou pior capacidade de as pessoas interagirem e entenderem o mundo em que vivem.
Esse é um dos alertas do estudo de Katia, desenvolvido para o programa de pós-graduação em Distúrbios da Comunicação da Unifesp. “Certos tipos de actividades prejudicam o desempenho intelectual das pessoas. Profissionais de qualquer idade que utilizam mais o cérebro têm melhor desempenho mental que os trabalhadores que exercem função repetitiva, mecânica ou braçal”, atesta a pesquisadora, com base na análise de processos de memória, interacção e integração em indivíduos adultos e idosos de diferentes níveis ocupacionais. Na sua tese de doutorado "Memória, Interação e Integração em Adultos e Idosos de Diferentes Níveis Ocupacionais", outra conclusão foi a de que a falta de actividades mentais estimulantes fora do trabalho agrava ainda mais a situação e tem efeitos preo-cupantes no desenvolvimento intelectual das pessoas.
Fonte: Universidade de S.Paulo (Brasil)