Problemas de atenção na meia-idade

Explorando a anatomia da atenção, uma equipa de investigadores canadianos descobriram que pessoas de meia-idade estão mais propensas a se distrair do que se imaginava, por causa de mudanças no funcionamento do cérebro, decorrentes da idade.

Cientistas da Universidade de Toronto e do Rotman Research Institute documentaram pela primeira vez de que forma a idade altera a capacidade de o cérebro ignorar interrupções irrelevantes no dia-a-dia. "Descobri que, à medida que envelheço, fica mais difícil lidar com distrações", disse a autora principal do estudo, Cheryl L. Grady, de 52 anos, especialista em efeitos cognitivos do envelhecimento. "A experiência traz-me explicações de por que isso está acontecendo no meu cérebro."

Fazendo o scanning do cérebro de jovens, pessoas de meia-idade e idosos , a Dra. Cheryl e seus colegas detectaram uma falência gradual nos circuitos dos cérebro que mantêm o equilíbrio normal do alcance da atenção.

Duas regiões-chave do cérebro, que permitem que a mente se concentre numa única tarefa e se desligue de pensamentos indesejados, começam a não funcionar tão bem muito antes do que se imaginava. Normalmente, circuitos neurais especiais no córtex pré-frontal tornam-se mais activos quando a mente presta uma rigorosa atenção. Ao mesmo tempo, áreas cerebrais correlatas no lóbulo frontal medial - que se acredita que monitorem actividades de bastidores mais gerais - relaxam.

Quando a mente está em repouso, supõe-se que o nível de actividade cerebral nessas regiões é, então, invertido. Porém, os pesquisadores descobriram que, a partir dos 40 anos, esse padrão começa a falhar durante tarefas de memória. "É sabido que pessoas mais velhas se distraem mais facilmente. Achamos que encontramos um mecanismo do cérebro que explica isso", disse a Dra. Cheryl.

Muitos pesquisadores começam a desconfiar que o mundo moderno, cheio de tarefas que deveriam melhorar a comunicação e a produtividade, poderia, em vez disso, estar tornando as pessoas mais dispersivas.

Também, cientistas do King's College da Universidade de Londres concluíram que as pessoas que tentam fazer "malabarismos" no trabalho, com telefonemas, e-mails e outras actividades simultâneas, sofreram um perda de QI (quociente de inteligência)!

Cheryl sugere, no entanto, que as pessoas que estão hoje na casa dos 20 anos, e cujos cérebros estão sendo moldados pelas mensagens instantâneas e todas as outras altas tecnologias, talvez sejam mais capazes de administrar interrupções indesejadas quando chegarem à velhice. O estudo, financiado pelo Instituto Canadense de Pesquisa Médica, foi publicado pelo Journal of Cognitive Neuroscience.