NEURÓBICA PARA EXERCITAR O CÉREBRO

A esmagadora maioria das pessoas só consegue tirar partido de uma parte da sua capacidade cerebral e como consequência muita gente deixa de alcançar bons resultados na vida profissional por desconhecer as suas reais potencialidades mentais.

Aprender a tirar o máximo de proveito de processos como a memorização, aprendizagem e a retenção de dados, de modo geral, é uma boa estratégia para melhorar o desempenho em todas as áreas da vida, inclusive no trabalho. Essa é a proposta da ginástica neuróbica, uma modalidade de exercícios cerebrais que, através de experiências pouco rotineiras e inesperadas, utiliza combinações dos sentidos (visão, olfato, tato, paladar, audição e até a emoção) para fortalecer o intelecto.

Mais difundida nos Estados Unidos, a neuróbica é, segundo o professor de Neurobiologia do Centro Médico da Universidade de Duke, Lawrence Katz, muito diferente de outros tipos de exercícios cerebrais que, normalmente, envolvem quebra-cabeças, palavras cruzadas e testes de memorização.

O especialista, pesquisador do Instituto Médico norte-americano Howard Hughes e autor do livro Mantenha o Seu Cérebro Activo , usa os cinco sentidos de forma a aumentar o impulso natural do cérebro, para formar associações entre diferentes tipos de informações. "Basta efectuar pequenas mudanças em seus hábitos diários para transformar as rotinas cotidianas em exercícios para o desenvolvimento da mente", assegura o professor.

Entre as muitas técnicas apresentadas por Katz estão dicas tão simples como escovar os dentes com a mão esquerda (se a pessoa for destra), ou o contrário, se for canhota; e seguir para o trabalho por um percurso diferente a cada dia. Trocar de mão para desempenhar qualquer actividade pela manhã, como pentear os cabelos, fazer a barba, aplicar maquilhagem, abotoar as roupas ou comer é um exercício que, segundo as pequisas de Lawrence Katz, resulta numa rápida e substancial expansão dos circuitos nas partes do cérebro (córtex) que controlam e processam as informações tácteis da mão. No segundo caso, andar por um caminho diferente até o trabalho, estimula o cérebro a absorver a imagem de novas paisagens, cheiros e sons, formando um novo mapa mental para o desempenho da atividade.

Exercícios para a memória

Na opinião do neurologista Paulo Roberto de Brito Marques, os princípios da neuróbica, relacionados ao uso dos sentidos, não parecem ser muito diferentes dos de outras técnicas de memorização e para melhoria do desempenho cerebral. "Nós temos uma memória olfactiva que está associada a fatos. No caso da audição, tendemos a gravar com mais facilidade algo que não gostamos de ouvir. Por isso, coisas ruins não devem ser ditas nem mostradas", diz o médico, que coordena pesquisas sobre a doença de Alzheimer e desordens relacionadas, entre elas o esquecimento. Por isso, aquele médico aconselha os chefes a não chamarem a atenção de seus funcionários em público quando eles errarem. "Não se deve enfatizar o lado negativo, é preciso chamar a pessoa discretamente e orientá-la de forma positiva para evitar traumas", alerta.

O consultor Flávio Sandes, da Empresa de Recursos Humanos Meio Ambiente e Segurança do Trabalho (Erhmast), assegura que a capacidade de memorização é importante em 100% das actividades funcionais do mercado de trabalho. Segundo ele, que aplica cursos sobre o assunto, memorizar significa aprender. "Quem decora não aprende e acaba esquecendo o que decorou em dois ou três dias", adianta. Outras publicações, semelhantes ao livro de Lawrence Katz, como Aprendendo Técnicas de Memorização (Makron Books), que vem com o software em disquete, e Aprendendo Mais e Melhor (Starprint Editora) também enfatizam a concentração, a leitura dinâmica e a memorização como formas de aproveitar melhor a capacidade cerebral no trabalho.