Campeões de videojogos têm cérebros maiores?

Pode haver uma razão científica para algumas pessoas serem autênticos especialistas a jogar Playstation, Playstation Portable, X-Box ou Wii, e outras serem um verdadeiro desastre.

Usando um velho jogo de vídeo chamado "Space Fortress", investigadores mediram o tamanho de regiões do cérebro específicas de 42 participantes - com idades compreendidas entre os 18 e os 28 anos - antes de começarem a jogar.

Depois de concluírem que os estudantes universitários demoravam apenas uma média de 20 horas a tornarem-se bons jogadores, foram mais longe e tentaram descobrir relações entre as diferentes dimensões das regiões do cérebro que tinham sido medidas e a forma como alguns participantes tinham aprendido de forma mais rápida e eficiente todos os truques do jogo.

Os resultados mostraram que sobretudo a região do striatum, localizada no córtex cerebral, é maior nos cérebros dos melhores jogadores.

Segundo os investigadores, o estudo confirma ainda que partes dessa região do cérebro são responsáveis pela nossa capacidade de aprender novos conceitos e de nos adaptarmos a situações de mudança.

Falando sério: não é tanto o tamanho (ou o volume) dos tais certos sectores do cérebro que conta mas o número de ligações neuronais e sinápticas existentes nas áreas envolvidas na execução de tarefas mentais. Outra questão é: têm esses jogadores já uma maior densidade de redes neuronais quando começam a jogar (e, por conseguinte, apresentam um maior potencial de resposta e de execução) ou essa maior densidade é conseguida através do treino intensivo (estimulação neural e cognitiva) à medida que jogam?
Outras experiências têm confirmado o que hoje nos parece óbvio dada a neuroplasticidade de muitas áreas do cérebro: quanto mais estimuladas forem essas áreas maior o número de ligações são estabelecidas através do esforço das aprendizagens e do treino.Uma das mais conhecidas descobertas sobre esta matéria é a dos taxistas londrinos. As áreas envolvidas na visão e na memória espaciais apresentam maior número de sinapses (pontos de contacto entre os neurónios) após meses de actividade na profissão. Quando se reformam, esse número tende a dimimuir por falta de exercício (por isso é que a retirada para a reforma nem sempre é muito boa para o cérebro). Fica o alerta.Nelson S Lima